Sistema Eletrónico de Administração de Conferências, Vol I (2016)

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Algemas da Liberdade: o paradoxo contemporâneo dos escravos da liberdade.
Bruno Feital Barbosa Motta, Ivaldo Neto, Yasmin Lopes Oliveira Magalhães, Marcus Vinicius de Morais, Higor Dias Casagrande, Syndel Silva Araujo, Pâmela Wilsilaine Magalhaes da Silva

Última alteração: 2016-10-03

Resumo


Esse estudo tem como objetivo geral apresentar o conceito de liberdade no decorrer da evolução social, até a pós-modernidade, verificando a relação entre liberdade e responsabilidade. Sobre o método, trata-se de uma pesquisa Qualitativa, de finalidade básica, caracterizado pela revisão bibliográfica de cunho explicativo realizada como atividade interdisciplinar das disciplinas de Integralidade III e Métodos e Técnicas De Pesquisa e Trabalhos Científicos na Psicologia do curso de graduação em Psicologia da FAGOC-Ubá, Minas gerais. Como resultado questiona-se estamos fadados à liberdade. Em uma primeira análise essa dúvida causa certa estranheza, uma vez que a sociedade pós-moderna fez da liberdade produto de luxo, criando uma busca eterna, incessante, onde a mesma seria a bandeira e a finalidade de todo e qualquer indivíduo da atualidade. A peregrinação exaustiva e intensa em busca dessa liberdade firmara-se de tal forma que esse Eldorado de quimeras tem sido tema de discussão emponderamentos de diversos autores e filósofos. Os grandes ideais filosóficos dos iniciados na Grécia antiga, os quais postulavam a dor e o sofrimento como ferramentas de crescimento humano e a necessidade de contenção de nossos desejos mais primários como instrumentos básicos da constituição do indivíduo como seres verdadeiramente humanos, foram completamente esvaindo-se no decorrer das eras até chegar à contemporaneidade. Ressaltamos que as ponderações ocorreram principalmente nas regiões de culturas ocidentais, onde as ideias hedônicas e o culto ao materialismo e ao efêmero tornam-se cada vez mais evidente. Uma vida baseada na liquidez, como afirma Bauman (2009), na sua obra intitulada Vida Liquida, a qual é marcada a fluidez da vida e das relações na sociedade atual. O autor afirmar que nos tempos atuais, as relações entre os indivíduos tendem a ser menos frequentes e duradouras. Dessas relações permeadas pela fluidez e ausência de valores e fundamentações, a sociedade vem-se criando e tentando edificar suas novas e futuras civilizações. A abdicação da ideia de responsabilidade que os indivíduos pregam e vivem na atualidade, são criadoras de inúmeras chagas sociais presentes na vida cotidiana. Nesta ótica, Bauman afirma que o mal-estar da pós-modernidade nasce da liberdade, em vez da opressão. Entretanto, essa liberdade, se revela como um grande paradoxo, em troca da segurança prometida pela ilusão do conforto material, a vida em comunidade parece nos privar dessa ansiada liberdade, sentimento este que poucos sabem definir, compreender e sequer vivê-lo em sua plenitude, acabando por banalizá-lo e levá-lo a conta de pura libertinagem e forma de exposição dos desejos e instintos mais torpes. Contextualizando na filosofia, dois autores afirmam diversas ponderações referentes à relação liberdade – responsabilidade. São eles, Jacques Derrida que observar-se ter como fundamental ideia de que a liberdade justificada na responsabilidade possibilita a boa decisão. Ainda, o filósofo Khalil Gibran, que transmite a essência de que o ético é o humano, e se a ética é a obrigação ou a responsabilidade incondicional, então significa que o eu, para me dizer humano, necessito ser ético e responsável. A responsabilidade é primeira, vem antes da liberdade. A responsabilidade determina o humano. Com a finalidade de aproximar essa problemática com as práticas cotidianas, busca-se a questão nas estruturações familiares, não no sentido de papéis ou constituições tradicionais ou modernas, mas aquilo que diz respeito ao que Derrida nos relata como sendo a Différance que não é a Différence, é algo mais subjetivo e introspecto, que permeia as relações, está no cerne, implícito, o intangível, faz parte do constructo dos arrolamentos e das instituições sociais.

 

Palavras Chaves: liberdade; pós-modernidade e responsabilidade.