Sistema Eletrónico de Administração de Conferências, Vol II (2017)

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O PAPEL DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS NA EXPLORAÇÃO E DIFUSÃO DA ECONOMIA AMBIENTAL: uma questão de currículo
Carlos Augusto Motta Murrer, Lucas Corradi Ferreira Brandão

Última alteração: 2017-09-19

Resumo


“Conhecer não é acumular saberes, mas apreender o aprendido, reinventar o já sabido e, acima de tudo, aplicar este conhecimento às situações existenciais concretas”. A frase é do filósofo e educador Paulo Freire (1980), notável pensador que se destacou em diversas áreas, em especial na educação popular e na pedagogia crítica.

O profissional já se atentava para a imperatividade do diálogo entre diversos sujeitos, evitando que o conhecimento fique inerte. Significativo é perceber que cada interlocutor detém conhecimentos significativos, e valorizar isso implica em estruturar uma dialética na qual, permite-se efetiva troca de informações e de ideias a partir de diferentes saberes. Décadas depois tal concepção seria objeto de discussão visando melhora na qualidade e na forma de educação.

Reputa interessante colocar em pauta a matéria da Economia Ambiental, numa perspectiva de construir conhecimentos que desenvolvam uma consciência crítica tendo em conta a cidadania ambiental como uma necessidade real e viável. Haja vista tal fato, é notável realizar o estudo da Economia Ambiental conjugada com a Educação e o Direito Ambientais, em uma simbiose educacional que pense o meio ambiente e sua transformação para a sustentabilidade da vida no planeta.

Nessa direção, o desenvolvimento sustentável emerge como ponto crucial de exame, restando fundamental para a problemática abordada. O Planeta encontra-se em constante metamorfose, com contínua modificação das relações interpessoais, estando as transformações e os avanços da economia intrinsecamente ligados à difusão e aplicação da concepção de desenvolvimento sustentável pelos atores de que aqui se trata: empresas, governo e a consciência pessoal têm significante papel nessa conjuntura.

O interesse em centrar este estudo no desenvolvimento sustentável surgiu pela constatação da atual conjuntura social, resultado, em grande parte, da imposta ideologia de globalização capitalista. É de todo salutar que a população, no exercício da cidadania, dê valor e tenha consciência de que a Educação Ambiental inserida nas diversas formas de aprendizagem caminha lado a lado com a difusão da ideologia do desenvolvimento sustentável, e que tal forma de agir pode gerar notáveis impactos tanto na atualidade quanto nas gerações futuras. Tal fato que desperta grande relevância ética, política, social e exige válido aprofundamento de pesquisa científica, articulando-se com a linha de pensamento proposta no presente trabalho.

Assim, é dada atualmente muita ênfase ao tema internacionalmente. Na Europa, por exemplo, documentos como “Nosso Futuro Comum” e “Agenda 21” ganham cada vez mais aplicação, além do espaço que a temática adquire no contexto dos programas de ensino das universidades europeias, nas quais a grande maioria já oferece programas de formação de graduação, pós-graduação e extensão nessa área, como veremos no decorrer da pesquisa. Por meio da internalização desse conceito de Economia Ambiental dentro das discussões universitárias no Brasil pode-se aumentar a percepção, pelos cidadãos, do seu grau de importância. Com isso há a possibilidade de o educador realizar uma leitura dialogal de mundo com seus educandos, visando à compreensão de natureza, das relações entre esta e os seres humanos, em análise adstrita aos problemas socioambientais. Isto posto, a Educação Ambiental a nível nacional pode tornar-se um instrumento para viabilizar o desenvolvimento sustentável nos dias atuais. A Educação Ambiental e o desenvolvimento sustentável, sendo discutidos, visam a aumentar a concepção crítica das pessoas em relação ao meio em que vivem, para que possam saber como utilizar dele sem destruir totalmente os recursos e ao mesmo tempo conseguir seu desenvolvimento econômico de forma sustentável. Caracteriza-se pela visão transformadora da realidade socioambiental por meio da Educação Ambiental, estabelecendo uma nova ordem ética, para formação da consciência e construção de conhecimento podendo compreender melhor os problemas que afetam o meio ambiente.

Nesse segmento, enquanto objetivos a pesquisa se propõe a construir raciocínio com o fito de demonstrar de que forma essa ideia de Economia Ambiental é importante e como demanda aplicação na sociedade. Outrossim, procura a pesquisa explorar a abordagem e o impacto que é gerado ao analisar-se o assunto “meio ambiente” adstrito ao ensino, à pesquisa e à extensão oferecidos nas universidades brasileiras atualmente. Ademais, o presente averigua e relaciona de forma inventiva economia e educação ambientais, visando demonstrar o valor que uma mudança de estrutura organizacional dentro das universidades pode gerar em relação ao bem ambiental.

Na metodologia a pesquisa se porta a um invés qualitativo com instrumentos metodológicos de obtenção de dados bibliográficos e documentais.

Investir no desenvolvimento sustentável junto à educação é investir na consciência crítica e num profissional com visão ampla e diferenciada para encaixar-se e buscar seu espaço no mercado. Com a formação de protagonistas na sociedade buscar-se-á aperfeiçoar a realidade, visando modificar o presente e inventar novas soluções para o futuro. O que se busca é legitimidade e preparação para que o desenvolvimento sustentável se espalhe no contexto social de forma mais concreta, sensíveis à diversidade de cidadãos mais críticos e engajados com a causa.


Palavras-chave


economia ambiental; universidades; desenvolvimento sustentável